quarta-feira, 11 de março de 2009

Guerra Colonial


Começou hoje na RTP a segunda série documental de A Guerra que, tal como a anterior, espero seguir com regularidade. Trata-se de um trabalho que visa a compreensão de fenómenos e acontecimentos de ordem política e militar de uma época que a minha geração viveu intensamente.

Julgo que ninguém fica indiferente a este passado recente que acompanha o conflito nas duas frentes desta Guerra (1961-1974). Um título simples, A Guerra, ou determinado à sua escolha: Guerra Colonial, Guerra de África...tanto faz! O certo mesmo é que, por ali, vemos e recordamos personalidades e gente anónima, ouvimos comentários de militares e civis, políticos e historiadores... uns ainda vivos e outros que já não...

Cada episódio pode ser visto à luz da "grande política"ou do pormenor da petite histoire que, nós os velhos, temos o dever de contar aos mais novos. Apetecia-me fazê-lo, tomando como exemplo a dificuldade da rede de comunicação desse tempo... O correio que, à distância de muitos dias ou até um mês, chegava ao interior de Angola, da Guiné ou de Moçambique. E, então, era ver a ânsia com que o feliz contemplado lia a sua carta ou aerograma! Confessava um destes combatentes que, na tentativa de animar o colega a quem falhara a correspondência, lia em voz alta a sua carta acabada de receber !

Repito, apetecia-me contar estas coisas aos mais novos e logo, eles que não passam sem telemóvel nas aulas! E, se me fosse permitido, havia de recordar a angústia do militar distante que ansiava por saber notícias do familiar doente ou do nascimento do seu primeiro filho. Algo que haveria de chegar com muitos dias de atraso!...

Lembrava tudo isto nesta quarta-feira, tendo presente as cartas que, do interior de Angola, António Lobo Antunes escrevia a sua mulher! Mais uma "estória de vida", mas não será da vivência de casos como este que também se faz a História?!


Nota: Não conheço a obra, cujo rosto encabeça esta mensagem, mas, de certo, há-de valer a pena consultar...

domingo, 8 de março de 2009

Efemérides

B. Murillo, S. João de Deus

Este dia 8 de Março chega-nos pleno de efemérides que vale a pena registar!

Ainda esta manhã lembrava o nascimento de um poeta e já remeto para outra personalidade portuguesa. Santo e, por acaso, conhecido pelo mesmo nome. S. João de Deus que, tendo nascido em Montemor-o-Novo neste dia no ano de 1495, cedo trocou a sua terra natal pela vizinha Espanha, onde faleceu também num 8 de Março (1550).

É também o Dia da Mulher, uma comemoração que surgiu na sequência de uma manifestação de operárias têxteis em Nova Iorque (1857). Assinalar este dia significa dizer que persistem as desigualdades entre sexos, uma situação que merecia ser devidamente analisada, debatendo a origem de tais disparidades. Derivam só da força masculina? E que fazemos nós, mulheres, contra isso?

Três efemérides marcadas por um traço comum: o interesse e preocupação pelos mais fracos e indefesos. Duas personalidades: o poeta e pedagogo, o santo e "pastor" e, finalmente, a mulher abnegada e protectora.

Para conhecer um pouco da biografia de S. João de Deus, fica a transcrição da Wikipédia.

João Cidade deixou Montemor-o-Novo aos 8 anos de idade e dirigiu-se a Oropesa onde foi pastor de gado. Alistou-se no exército e tomou parte na conquista de Fuenterabia, então ocupada pela França. Ao abandonar a vida militar, voltou ao ofício de pastor em Oropesa, Sevilha, Ceuta e Granada.

Em Granada ouviu os sermões do Padre José de Ávila e ficou tão impressionado e exaltando o seu espírito religioso, confessou publicamente todos os erros da sua vida passada e para mais clara demonstração do seu arrependimento, andou percorrendo a cidade ferindo o peito com pedras, e manchando o rosto com lama. Devido ao seu estado lastimoso foi dado como louco e internado num hospício, onde permaneceu muitos anos.

Com um espírito mais sereno, para o qual contribuiu o Padre João de Ávila, João Cidade saiu do Hospício, e foi visitar o Mosteiro de Guadalupe, voltando depois para Granada onde fundou em 1539 um Hospital para doenças contagiosas e incuráveis. Daí em diante dedicou-se ao serviço deste Hospital. Fundou assim a ordem dos Irmãos Hospitaleiros, a qual foi confirmada, debaixo da regra de Santo Agostinho, pelo Papa Pio V em 1 de Janeiro de 1571.

João Cidade foi beatificado pelo Papa Urbano VIII em 28 de Outubro de 1630 e canonizado em 16 de Outubro de 1690, pelo Papa Alexandre VIII, sendo no entanto a sua Bula expedida após a sua morte, pelo seu sucessor Papa Inocêncio XII.

São João de Deus é o padroeiro dos hospitais, dos doentes e dos enfermeiros. A sua memória litúrgica é celebrada a 8 de Março.

João de Deus


Neste dia no ano de 1830, em S. Bartolomeu de Messines, nascia João de Deus. Poeta e pedagogo, cujo nome ficará para sempre associado à Cartilha Maternal e ao ensino pré-escolar.

E porque o tempo é de crise, que tal recordar a Cigarra e a Formiga?

Como a cigarra o seu gosto
É levar a temporada
De Junho, Julho e Agosto
Numa cantiga pegada,
De Inverno também se come,
E então rapa frio e fome!
Um Inverno a infeliz
Chega-se à formiga e diz:
- Venho pedir-lhe o favor
De me emprestar mantimento,
Matar-me a necessidade;
Que em chegando a novidade,
Até faço um juramento,
Pago-lhe seja o que for.
Mas pergunta-lhe a formiga:
"Pois que fez durante o Estio?
"- Eu, cantar ao desafio."
Ah cantar? Pois, minha amiga,
Quem leva o Estio a cantar,
Leva o Inverno a dançar

sábado, 7 de março de 2009

Milagre do Magalhães!

Nome de pessoa, por sinal um navegador ilustre do século XVI, o Magalhães entrou definitivamente nas bocas do mundo como pequeno computador portátil. Símbolo das novas tecnologias em que o Governo aposta como instrumento milagroso para os bons resultados escolares...

Não desdenho a importância do progresso, mas sempre desconfiei destes arroubos pelas últimas novidades. Acho totalmente desadequado o uso desta ferramenta por crianças que ainda mal sabem ler, escrever e contar.

As imagens dadas pela TV corroboram esta opinião, uma vez que o Magalhães tem servido mais para jogar do que como instrumento de trabalho. E se tal não bastasse, veja-se o que os media nos dizem a respeito. Passo a transcrever.



ME manda retirar software do «Magalhães» com erros


O Ministério da Educação solicitou a remoção de software associado a uma aplicação de um jogo instalada nos computadores Magalhães após a detecção de graves erros de português, segundo uma nota hoje divulgada.

Os erros mais de 80 erros, entre os quais «gravar-lo», «puxando-las», «acabas-te», «básicamente», «fês», «caêm», fizeram hoje capa no semanário Expresso.

Segundo o jornal, o Ministério da Educação deu sexta-feira ordem para as escolas retirarem dos computadores Magalhães o software de jogos didácticos depois de o Expresso confrontar o Executivo com os erros de ortografia, gramática e sintaxe nas instruções dos jogos incluídos no ambiente de trabalho Linux.

Em nota hoje divulgada, a Direcção-Geral de Inovação e Desenvolvimento Curricular (DGIDC) refere que já solicitou à empresa JP Sá Couto a remoção do software associado a uma aplicação de um jogo instalada nos computadores Magalhães, depois de detectados erros ortográficos que o Ministério da Educação considera «intoleráveis.


In Jornal Digital, 7 de Março


Nota - Afinal, o Magalhães não serviu a aprendizagem, antes confundiu. E já agora mais uma crítica, foi necessário tanto tempo para detectar os erros?!
Por tudo isto, só devem estar felizes as escolas, pais e alunos que ainda não acederam ao famigerado Magalhães!!! Sempre há males que vêm por bem...


Con te partirò




Uma interpretação inesquecível!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Ser Mulher


Nem toda a gente gosta de receber mensagens, mas não é o meu caso. Divididas em vários géneros ( lazer e cultura, informação e denúncia... ), todas merecem a mesma atenção, o sinal de um amigo que se lembra de nós!.

A actualidade fornece um manancial temático que a criatividade multiplica em formas e expressões. Para comprovar, refiro as últimas a propósito do Dia da Mulher que se aproxima. Mensagens amáveis e elogiosas, recheadas de lindas palavras e imagens que nos desvanecem e estimulam.

De entre tantas, respiguei duas ideias que falam no "comportamento contraditório" da mulher: chora de felicidade e, estando nervosa, ri. Riso nervoso que, tal como as lágrimas, significa sentir-se feliz.

Permitam-me discordar desta apreciação. Trata-se, afinal, de um registo de emoções que todos nós, mulheres e homens, sentimos e exprimimos. Manifestações de sensibilidade que, não sendo exclusivo da mulher, parecem resultar mais da diversidade das pessoas do que da distinção de sexo!..

quarta-feira, 4 de março de 2009

Como Ulisses...


Como Ulisses te busco e desespero

Como Ulisses te busco e desespero
como Ulisses confio e desconfio
e como para o mar se vai um rio
para ti vou. Só não me canta Homero.

Mas como Ulisses passo mil perigos
escuto a sereia e a custo me sustenho
e embora tenha tudo nada tenho
que em te não tendo tudo são castigos

Só não me canta Homero.Mas como Ulisses
vou com meu canto como um barco
ou vindo o teu chamar - Pátria Sereia
Penélope que não te rendes - tu

que esperas a tecer um tempo ideia
que de novo o teu povo empunhe o arco
como Ulisses por ti nesta Odisseia.

Manuel Alegre