quinta-feira, 13 de maio de 2010

E se o Governo fosse à padaria?...


Crise, austeridade pobreza e miséria: palavras encadeadas que remetem para dias negros, cada vez mais negros. As medidas anunciadas hoje pelo Governo não deixam margem para dúvidas.

Sei, sei bem que a situação é global. Porém, a orientação política diverge de país para país. E isso entristece-me. Só em Portugal vejo esta coisa original de encarar a redução dos vencimentos dos políticos como demagogia. Enfim, uma atitude que se coaduna com a insensibilidade de aumento do IVA nos bens de primeira necessidade. Pois, é só 1%!!! Mas isso faz toda a diferença no orçamento das famílias mais carenciadas.

Para começar, lanço um convite à classe política. Por um dia, desçam à realidade do país, entrem na padaria e investiguem a tendência de venda do pão...é que as famílias cortaram (e vão continuar a cortar) neste alimento básico!..

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O Papa está entre nós...


O Papa está entre nós. E cativou-nos. A figura frágil e de sorriso tímido tocou-nos e, em menos de vinte e quatro horas, a desconfiança ainda existente, esfumou-se. Depressa aprendemos a observar o seu rosto, agora mais distentido, embora mais cansado. Por tudo isso, o Papa entrou-nos definitivamente no coração...

As manifestações e atitudes generalizadas traduzem um sentimento de cordialidade e simpatia que, até há pouco, seria impensável. Esse ambiente emotivo saltou das ruas para as cadeias de televisão, contagiando-nos em casa.

Compreendo bem essas razões, recordada ainda do modo como reagi à passagem do Papa João Paulo II aquando da sua primeira visita a Portugal. Maio de 1982, pouco depois do desembarque no Aeroporto, o Papa entrava nas primeiras ruas de Lisboa a caminho da Igreja de Santo António. Subindo a Avenida do Brasil, inverteu para a Avenida de Roma quando o avistámos, de pé, num carro aberto (ainda não se chamava papamóvel). Do seu rosto irradiava uma tal força que, num gesto impensado, desatámos a correr. Seguíamos aquela Figura até que, cerca de cem metros depois, a Lurdes (a colega que me acompanhava) e eu parámos, rindo às gargalhadas...

Só Alguém com um carisma especial poderia desencadear uma tal reacção, um facto inesquecível e tema recorrente de conversa sempre que encontro a Lurdes!

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Rainha D. Leonor

Rainha D. Leonor, José Malhoa (Museu Malhoa, Caldas da Rainha)


Na sequência da visita à exposição "Casa Perfeitíssima, 500 anos da Madre de Deus", mosteiro fundado por D. Leonor, deixo algumas notas biográficas da Rainha, que no dizer do cronista, foi "a mais Perfeita que nasceu no Reyno de Portugal".

Praticamente desde o nascimento, no dia 2 de Maio de 1458, estava destinada a reinar, por vontade de D. Afonso V, seu tio. Bisneta de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, Leonor era filha de D. Fernando, Duque de Viseu e Condestável do Reino, e de D. Beatriz, filha de D. Afonso, primeiro duque de Bragança. Representando duas importantes linhagens da dinastia de Avis, Lencastre e Bragança, a Infanta cresceu entre os afagos e a educação do meio aristocrático.

Recebeu uma educação esmerada e dela apontam os cronistas a “formosura rara” e o carácter virtuoso que, desde a infância, cultivou. Ao mesmo tempo que assimilava os princípios da espiritualidade cristã, adquiria também as noções básicas das “sete artes liberais” (trivium e quadrivium). Instruída na prática de lavores, não descurava também os jogos e diversões próprios da sua idade e condição. E, dadas as circunstâncias do casamento precoce (Leonor contava 12 anos e João, 15), pode mesmo considerar-se que os Príncipes cresceram juntos e assim se formaram para o “ofício” que os aguardava. Anos de preparação que, de certo, não ignoraram as obras de D. Duarte (avô de ambos), delas extraindo importantes lições. Do Leal Conselheiro, “abc para damas e cavaleiros”, receberam os princípios de formação moral e no Livro de Ensinança de Bem Cavalgar Toda a Sela, as normas de educação prática que, além da destreza, fortalecem a vontade e o carácter.

Noblesse oblige e aos Príncipes exige-se o dever de representação do poder, isto é, a atitude e comportamentos adequados aos actos públicos, seja de natureza política, religiosa ou de diversão. Imagem do “bom príncipe” que D. João II confirma, ora aparecendo como um justiceiro impiedoso e, noutras ocasiões, compassivo e capaz de se humilhar e penitenciar. Esses mesmos princípios e valores revelam-se em D. Leonor, cuja personalidade reflecte o ambiente e circunstâncias que envolveram a sua vida. Nascida e criada para ser rica e feliz, nem sempre foi, todavia, bafejada pela sorte.

Ainda mal tinha assumido o estatuto de Rainha viveu o drama da justiça régia, condenando á morte seu cunhado e irmão, os Duques de Bragança e de Viseu. Maior provação aconteceu com o acidente que, em 1491, vitimou o seu único filho, o Príncipe D. Afonso, um desgosto que chorou em comunhão com o Rei, seu Esposo. Porém, o complexo problema da sucessão ao trono acabaria por azedar as relações entre eles, uma vez que D. Leonor nunca desistiu de fazer valer o direito de seu irmão. E assim aconteceu em 1495, pelo falecimento de D. João II, cuja memória perdurou como “Príncipe Perfeito”. Inacabado deixava o “sonho da Índia” que D. Manuel I havia de cumprir…

Alçado o novo Rei, D. Leonor passou a ser conhecida como a “Rainha Velha”, um estatuto determinado pelas circunstâncias que, muito cedo, fizeram dela viúva aos 37 anos. O seu rosto conservava os traços de beleza da juventude, mas, doravante os seus interesses haviam de canalizar-se para a prática de obras de beneficência e de devoção.

A criação das Misericórdias e as obras de assistência não eram, todavia, incompatíveis com o gosto pelas letras e pelas artes. Ao mesmo tempo que o Renascimento europeu fazia sentir a sua influência em Portugal, a fama das viagens da Expansão Marítima e da descoberta de novas terras e de novas culturas atraía a curiosidade das elites cultas da Europa. A então recente descoberta da imprensa adquiria uma importância de dimensões ainda incalculáveis. A tipografia seria o veículo de divulgação de obras religiosas e de carácter literário, científico e artístico. O facto não passava despercebido a D. João II que favoreceu a impressão dos primeiros livros em Portugal (incunábulos), uma actividade que a Rainha Viúva continuará a proteger.

Terminou os seus dias em Lisboa no ano de 1525. E, embora, rica e poderosa, penitenciou-se na morte, recusando as honras devidas à sua condição. No chão da Madre de Deus, que tantas vezes pisou, quis permanecer. Não em túmulo grandioso, mas em campa rasa, assinalada apenas por uma simples lápide. A seu lado, a primeira abadessa do Mosteiro, Soror Colecta, e o túmulo de sua irmã Isabel, Duquesa de Bragança.

sábado, 8 de maio de 2010

Mudam-se os tempos, muda-se a Escola...

A Guida enviou-me este vídeo e não resisti a publicitá-lo. Vejam ao que chegou a Escola...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ar livre e exercício físico

Lisboa, Quinta das Conchas

A imagem é sugestiva e o texto, retirado da Internet, anima-nos a caminhar. E quem não quer usufruir de tais vantagens do ar livre? Então, pernas ao caminho e mexa-se!!!

Apenas cinco minutos de exercício físico numa "área verde", como um parque, por exemplo, podem ser suficientes para melhorar a saúde mental, segundo avançou um estudo, publicado na revista especializada «Environmental Science and Technology», por uma equipa de cientistas britânicos.Os investigadores da Universidade de Essex verificaram, após compararem dez estudos previamente realizados em 1250 pessoas, que as que praticavam actividades ao ar livre melhoraram rapidamente de humor e de auto-estima.

As actividades analisadas eram variadas, como caminhadas, ciclismo, pesca, jardinagem, cavalgada e remo e têm maior impacto entre as pessoas mais jovens e o efeito aparecia em apenas cinco minutos. Com o passar do tempo, os efeitos positivos continuavam aparentes, mas tinham menor intensidade.Ainda segundo os investigadores, o resultado era ainda maior se o local também tivesse água, como um lago ou um rio.

Para Jules Pretty, um dos autores do estudo, pessoas geralmente sedentárias, deprimidas ou com problemas de saúde mental seriam as mais beneficiadas por actividades ao ar livre."Empregadores, por exemplo, deveriam incentivar seus funcionários a fazer uma curta caminhada num parque próximo durante a hora do almoço para melhorar o humor e reduzir o stress", disse.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Do Oriente, outra musicalidade

Instrumentos de cordas e a expressão da musicalidade oriental.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

"...Antes a Oprah."


Pelas piores razões, Portugal e a Grécia andam nas bocas do mundo. Passada que foi essa final do Euro de 2004 ( e que os gregos levaram a melhor, conquistando a Taça ), arrisco-me a dizer que esta associação não podia ser mais incómoda. Espécie de sentimento de recusa ou exorcismo de uma catástrofe que ameaça bater-nos à porta. Sendo a Grécia o berço da tragédia, os seus filhos vivem (ou viveram ) sem angústia o presente, enquanto nós, os portugueses, andamos tristonhos com a perspectiva de mais uns apertos de cinto. É o fado, que é nosso, de que não nos livramos!...

Enquanto isso, o Governo persiste nas "grandes obras públicas", gizando um plano que resultou nos Estados Unidos com o New Deal. Uma diferença, uma grande diferença separa o nosso pequeno e endividado País da pujante e garantida reserva financeira dos States.
E assim pôde o Estado apoiar a banca e os sectores económicos, substituindo-se aos privados no arranque de grandes obras públicas. A grande recessão lançou as bases do Estado-Providência: uma conquista de que não podemos abrir mão. Todavia, manda a prudência travar a política keynisiana tout court, um avisado lembrete para o Governo que teima em fazer ouvidos de mercador à voz do povo...

A este propósito, a análise crítica de Ricardo Costa ( Expresso deste sábado) traça as regras de um manual para um bom primeiro-ministro. Muitas regras, a última das quais preconiza a substituição de Keynes pelo programa da Oprah. Pelos tempos mais próximos, esqueça o primeiro-ministro a leitura daquele economista e distraia-se, vendo televisão...por exemplo, a Oprah.
Por mim, resta-me acrescentar: era um favor que nos fazia!