sábado, 5 de julho de 2008

Blog, um vício?









Já não passo sem Internet. E isto causa-me algum sobressalto, porque sempre reagi a modas e comportamentos obsessivos...

Mas a verdade é que não dispenso uma pesquisa rápida no Google e, muitas vezes, perco-me em curiosidades sem um objectivo consistente. E o maior espanto vai para esta "escrita de nadas" que faço no Blog. Como explicar esta atitude, uma vez que sempre odiei a exposição pública?

Uma justificação assente em vários factores. O primeiro, resulta da forma, mais ou menos anónima, deste meio de comunicação. Depois, a desinibição própria da idade. Acreditamos que muitos anos de vida acrescentaram experiência e sabedoria e, a partir daí, acontece uma quase inesgotável soma de assuntos. Falamos de tudo: registos do passado ou da actualidade... sem que nada, nada escape...

E assim, consciente ou inconscientemente, vamos projectando a nossa personalidade nesta espécie de diário. Para aqui carregamos o modo como crescemos e vivemos, deixando também um ou outro registo para "memória futura"!

Um cronista que muito aprecio, escrevia: "...o que desejamos só nos é dado quando, pela memória, o obtemos uma segunda vez. A memória é um desejo de passado e o desejo é uma memória de futuro". E mais não digo!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

American life

Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie dispensam apresentações. Mas nunca é de mais falar daquela que é a família mais engraçada e politicamente incorrecta do mundo. Tanto mais que estão de parabéns. A família Simpsons comemorou ontem os seus 20 anos de vida, que é como quem diz de carreira.
Foi no dia 19 de Abril de 1987 que Os Simpsons foram emitidos pela primeira vez na televisão norte-americana, à data inseridos num show de Tracey Ullman. O sucesso foi tanto que dois anos depois ganharam a sua independência e tiveram honras de se estrear com um programa só seu (episódios de trinta minutos), que é hoje o desenho animado com maior longevidade nos EUA, com direito a um lugar no Guinness, o livro de recordes.Criada por Matt Groening e James L. Brooks, a família Simpsons tem sido um caso de sucesso. O seu humor subversivo e as sátiras à classe média e ao modo de vida americano, colocando "o dedo nas feridas", e as suas críticas a outros países, têm granjeado fãs um pouco por todo o mundo. O jeito preguiçoso de Holmer, o pai, o lado de mãe-galinha de Marge, o carácter traquinas de Bart, o primogénito, o ar certinho e responsável de Lisa, a filha do meio, e as primeiras palavras de Maggie têm encantado miúdos e graúdos e tornaram-se, até, numa instituição cultural.

Com honras de presença na calçada da fama de Hollywood, ao lado de estrelas famosas de carne e osso. Caso inédito para quem é um boneco de desenho animado.Chama-se Springfield a cidade onde vive a família Simpsons. Não foi ao acaso a escolha do nome. Springfield é um nome comum nos EUA. Qualquer dos 51 estados tem a sua Springfield. E essa foi a forma encontrado pelos autores para garantir que a crítica feita nos desenhos animados fosse ainda mais abrangente.

Mas, o povo americano não é o único alvo das sátiras de Groening e Brooks. O resto do mundo não lhes escapa. E a polémica, por vezes, acaba por surgir, sobretudo junto dos sectores mais conservadores. Um dos casos que mais tinta fez correr envolveu o Brasil, que num dos episódios foi retratado com macacos andando pelas ruas e muita violência. Os brasileiros não gostaram. No total, desde a estreia, Os Simpsons já contam com perto de 400 episódios e é a série animada com maior número de participações especais. Emitida pelo canal aberto americano FOX, a série já ganhou vários prémios, incluindo 21 Emmys.


Dia 4 de Julho, dia nacional da América, lembrei-me dos Simpsons, a série que já fez 20 anos...
Por hoje, fica a sátira, outro dia hei-de falar a sério do "estilo de vida americano"....


O pão de cada dia



Notícia de hoje, baixa do consumo de pão em 20%.
Seria bom se isto correspondesse a uma alteração dos hábitos alimentares dos portugueses que estão ficando muito gordinhos.
Mas nada disto, apenas mais um sinal dos tempos de crise.
E, por arrastamento, as padarias encerram portas...

Contudo, a crise não é igual para todos. Noticia-se também hoje que o Tribunal de Contas detectou um prejuízo de 75 milhões de euros nas Águas de Portugal, o que não impediu a empresa de gastar 5 milhões em prémios e na renovação da frota-automóvel!...
Pasme-se! Então, os prémios não significam bom desempenho, produtividade e lucros? Dantes era assim, mas já nada é como dantes!..

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Agzikarahan



















O Verão é tempo de viagens!
Muitos lugares já visitei e muitos, muitos outros gostaria de pisar e apreciar...e até de repetir.

Por agora, a imagem alimenta a memória. Agzikarahan, Anatólia, Rota da Seda: fortaleza-observatório da aproximação das caravanas... Nunca esquecerei a emoção da vista do planalto que se prolonga até à linha do horizonte....
Mas o meu horror às alturas quase me levou ao pânico. Como descer aquelas escadas tão altas e estreitas, sem qualquer corrimão? Quem sobe também desce e assim, lá fui, de cócoras, devagarinho e sem mais percalços, senão umas esfoladelas no braço esquerdo. Nada de importante.
Figura caricata a minha, mas que, graças a Deus, ninguém fotografou!

À saída esperavam-nos uns miúdos que vendiam artesanato. Dei uma moeda a um deles, de aspecto muito pobre e de uns lindos olhos pretos. Só me arrependo de não ter comprado as meias de lã que me oferecia, mas fazia muito calor em Julho!




Ingrid Betancourt


















A notícia chegou inesperada: Ingrid Betancourt regressou do "cativeiro", acompanhada por 14 companheiros ( 3 americanos e 11 colombianos). O milagre da libertação resultou de uma "operação militar perfeita", como ela afirmou.
Muitos meses separam estes registos que valem pelo contraste entre dois momentos: a depressão em Outubro e a alegria da liberdade, ontem!

Quase podemos dizer que o rosto calmo de Ingrid, coincidindo com as palavras que proferiu à chegada, significam um "outro milagre", o da força de ânimo. Momentos houve em que a esperança quase a abandonou, mas logo recuperava o sonho de um dia....
O mundo sentiu o drama dos reféns e uniu-se, desde as altas esferas do poder político ao povo anónimo. Os ecos desse movimento chegavam ao interior da floresta da Colômbia. Todos os dias os familiares mais queridos falavam, via rádio, e Ingrid soube encontrar nessas palavras o sentido da esperança... Mas isso só foi possível com a ajuda da comunicação social que nunca desistiu de colaborar... e ontem ela também não esqueceu o agradecimento aos jornalistas!

Ingrid é uma mulher de fé, rezou sempre, confiando na providência divina... Tantas razões para explicar a grandeza da Mulher que, sem azedume, lembrou os outros companheiros que continuam reféns das FARC. É desta qualidade que são feitos os grandes políticos e, tenho quase a certeza, que ela não vai desistir da luta pela liberdade...na Colômbia, no Zimbaué, na Birmânia ou noutro qualquer lugar!
É isso que esperamos da sua coragem, persistência e capacidade de perdoar!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Uncle Sam

Tio Sam é uma personificação nacional dos Estados Unidos da América.
Ele é geralmente representado como um senhor de fisionomia séria com cabelos brancos e barbicha. Há fontes que vêem uma semelhança do rosto de Tio Sam com o do presidente
Andrew Jackson, outras com o do presidente Abraham Lincoln. O Tio Sam é representado vestido com as cores e elementos da bandeira norte-americana - por exemplo, uma cartola com listras vermelhas e brancas e estrelas brancas num fundo azul, e calças vermelhas e azuis listradas.

Do Tio Sam fica a imagem e a explicação do símbolo. Personificação da seriedade que, porventura, associamos à ideia de democracia e direitos humanos. Essa parece ser a mensagem que a grande América transmite ao resto do Planeta!
Pois, hoje, a terra do Tio Sam é notícia pelas piores razões. As câmaras de vigilância de um hospital registaram imagens chocantes, inimagináveis até em países ditos subdesenvolvidos....
Sala de espera, uma mulher cai no chão inanimada. E aí permanece estendida, enquanto alguns seguranças espreitam, observam o quadro e nada fazem. Até um médico teve a mesma reacção. Igualmente, um utente lança uma olhadela e continua sentado, impávido e sereno. E a mulher, paralisada e sem um gesto, continua no chão. Só passada uma hora, alguém aparece para confirmar o óbito!...
Tanta indiferença face ao sofrimento humano chocou a opinião pública dos E.UA. E parece que os responsáveis do Hospital já foram todos demitidos! Ao menos, valha-nos isso!
Sabemos que não se deve generalizar. Daí a indignação dos americanos decentes e solidários. Mas façam qualquer coisa para mudar este estado de coisas! Por que não uma campanha de sensibilização à cidadania e solidariedade?

José Saramago



Nem sempre os amigos coincidem nos gostos e daí que, de vez em quando, parta só à descoberta de um museu ou de uma exposição.

E assim aconteceu ontem: Palácio da Ajuda, "José Saramago - a consistência dos sonhos", uma exposição tecnica e esteticamente bem conseguida. Mostra de um vasto campo documental que, a par e passo, segue o percurso de Saramago, desde a Azinhaga-natal, "terra plana e lisa como a palma da mão", até aos lugares de afirmação e consagração do escritor.

O suporte audio-visual facilita o conhecimento do homem e do escritor. Imagens que sobrepõem a passagem dos dias de Saramago e do passado recente de Portugal...e, naturalmente, também de todos nós! Agradou-me, pois, essa retrospectiva que, sendo já "história", serviu para lembrar coisas, pessoas e lugares...
Devo confessar que, embora não seja uma admiradora incondicional de Saramago, gosto muito de algumas das suas obras. Distingo, de modo particular, o Memorial do Convento (a obra que o tornou conhecido do grande público) que, através de um tema original, deu um sugestivo retrato da época de D. João V...
Servi-me do Memorial para animar as aulas de História, não podendo imaginar como esses trechos foram determinantes para o futuro profissional de uma jovem aluna, hoje brilhante investigadora na área das Ciências Sociais. Influência publicamente assumida, como confessa na introdução da Tese de Doutoramento...

Fechando parentisis, regresso à exposição. Registos do trabalho árduo do escritor, objectos do seu quotidiano, imagens da vida familiar e também momentos de consagração. A grandeza do cerimonial da entrega do Nobel em 1998 e aquela parede-montra de todos os títulos publicados e respectivas traduções!...

Tantos reflexos da obra e do homem, desde a Azinhaga a Lanzarote.
Entre todos, retive um pormenor, uma das suas últimas entrevistas. Falava-se da morte e José Saramago recordava a avó. Mulher simples que, aos 90 anos, afirmava: "O mundo é tão bonito!" E por isso, dizia ter muita pena de morrer!... Interpretando as palavras da velha senhora, explicava que "essa pena" resultava do facto de "não estar" para presenciar o futuro...
Partindo da sabedoria da velha camponesa, fica esclarecido o ciclo da vida que, afinal, parece resumir-se a dois tempos verbais: o presente de estar (enquanto se vive), e o passado do mesmo verbo (quando chega a morte).
Sem dúvida, é por esse gosto de "ver o mundo" (pessoas e coisas) que o homem resiste à doença, agarrando os frágeis fios que o ligam ao presente. É sempre a busca para prolongar horas aos dias de vida... Saramago conhece o segredo! Que viva por muitos anos!