sábado, 21 de março de 2009
Escutando as Aves
Ainda na onda da Primavera, obrigatório escutar o canto das aves. E por que não tentar compreender a sua linguagem?
sexta-feira, 20 de março de 2009
Primavera e Alergias

Entre as quatro estações do ano, hesito na escolha. Afinal, do que gosto mesmo é da Natureza e nada mais importa. Para quem aprecia tanto flores como eu, há um senão na Primavera, as alergias provocadas pelos pólens...
Um incómodo que este ano começou mais cedo. Isto trouxe-me à lembrança um episódio ocorrido com uma turma de 7º ano nos meados da década de 80 quando fui atingida por uma crise primaveril precoce. Espirros, nariz pingando e olhos chorosos davam-me um ar infeliz e cansado que em nada se coadunava com a força daquelas crianças que, embora simpáticas e bem comportadas, tinham a agitação da idade reforçada pelo calor daqueles dias de Sol...
E neste estado de coisas e, considerando que todos devemos respeitar os limites dos outros, pedi-lhes que se portassem bem e, por regra, assim sucedia. No dia 21 ou 22 de Março ( não sei precisar), a Inês, sem nada dizer, deixou uma folha de jornal na secretária. Peguei e li um artigo de A Capital do dia anterior, cujo título dizia mais ou menos: Começou a Primavera, ponha o seu filho a nadar! "Obrigada, Inês!" disse, sorrindo para ela que, no seu lugar junto à janela, corou muito!
Foi um pequeno gesto que nunca esqueço. Mais tarde, voltei a ser professora da Inês que continuava uma menina discreta. Entretanto, perdi-a de vista, mas sei que está bem e é mãe. Oxalá os seus filhos não precisem de natação para aliviar as alergias!...
E, depois de mais um regresso ao passado, deixo uma sugestão: Deliciem-se com a Natureza e tratem os outros com ternura! Fica o endereço! http://web.educom.pt/pr1305/estacano.htm
Primavera
Hoje, o calendário registou a chegada da Primavera...Viva a Primavera! Sol, renovação, flores... alegria de viver e poesia!
Fernando Pessoa (Alberto Caeiro) ansiava pela chegada da Primavera, perspectivando outras primaveras...
Quando vier a Primavera
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.
Alberto Caeiro
quinta-feira, 19 de março de 2009
Pedro de Santarém

Conhecem Pedro de Santarém? Não, não é o navegador ou o diplomata da época dos Descobrimentos. Trata-se de um homónimo que remete para outra história, a de um Menino de Angola, Menino da Guerra, tal como se intitula a peça hoje transmitida pela TSF http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/AudioeVideo.aspx?content_id=1174996.
Trabalho radiofónico interessante pela forma como associa a narrativa-dramatizada com a "fala" dos principais personagens. Depoimentos emotivos que nos levam às memórias de uma criança de 5-6 anos e de militares em teatro de guerra, um ambiente feito de carinho e abnegação.
Pois, o Pedro de Santarém também faz parte das minhas memórias. Conheci-o em 1963, salvo erro no dia 3 de Setembro. Muito direito, cabeça levantada e bivaque preso ao ombro, marchava garbosamente à frente do pelotão da Escola Prática de Cavalaria que, cumprida a sua missão em Angola, aportara a Lisboa no Niassa.
Comentava há dias o facto de a História ser feita de casos, grandes e pequenos gestos ou situações. Parecendo pequeno, este inclui-se no rol dos grandes gestos, do mais puro que existe na natureza humana, a começar no militar alentejano, o Aljustrel, passando depois por todos os militares.
Comovedor ouvir o Pedro dizer que o pelotão substituiu a sua mãe, o seu pai e irmãs. De notar a superprotecção ansiosa dos soldados que chegaram ao ponto de o empanturrar e, depois, a atenção e cuidado com que o médico, dr. Noronha, tratou os efeitos daquele distúrbio intestinal. Escusado será dizer que tudo isto acontecia com a anuência do capitão Ricardo Durão que, entretanto, levantava já a questão acerca do futuro do Pedro. E, mais uma vez, a sensibilidade de um homem, alferes Sá que, tendo contado a situação a sua Mãe, obteve desta a disponibilidade generosa para receber o Pedro como um filho...
A peça radiofónica realça ainda as peripécias do embarque do Pedro que, pela mão do dr. Noronha, viu a sua entrada recusada pelo Comandante do navio. Muito haveria ainda para contar, nomeadamente acerca da família de acolhimento e do médico, entretanto, falecido. Estive com o dr. Noronha e a sua noiva (esposa, depois ) em vários encontros proporcionados pelo meu primo A., alferes nesse mesmo pelotão em Angola. Ainda o lembro: estatura média, introvertido, esboçando um sorriso meio envergonhado sempre que se falava dos cuidados médicos prestados!..
Nota: Tenho ideia que a fotografia do Pedro, menino-soldado, foi publicada em jornais desse tempo. Gostava de revê-la. Quanto à narrativa desta "estória", pode também ser lida em Guerra de África, de José Freire Antunes, vol.I, pp. 250-252, segundo o relato do general Ricardo Durão.
quarta-feira, 18 de março de 2009
Gratidão

Gratidão, sentimento e atitude para uma vida feliz. Cultivemos esta prática que, além do bem-estar emocional, garante a longevidade.
Esta é a opinião do psicólogo Robert A. Emmons que acaba de publicar Obrigado! Afirma-se na Única que "os efeitos ( da gratidão) são sentidos não só pelos próprios como por aqueles com quem eles se relacionam".
E porque "saber agradecer pode melhorar o nosso bem-estar físico e emocional", transcrevo alguns excertos.
O poder da gratidão
É, literalmente, uma das poucas coisas que pode mudar a vida de uma pessoa (...)
Acredito que que não poderemos ser verdadeiramente humanos se não reconhecermos e expressarmos gratidão a todos aqueles de quem a nossa vida depende. A gratidão é a nossa melhor abordagem à vida. Quando as coisas correm bem, permite-nos celebrar esses momentos. Quando correm mal, permite-nos pôr a vida em perspectiva." (...) faz de nós pessoas mais felizes. (...)
As consequências de uma vida em gratidão são mensuráveis. (...) Não se trata de retórica moral. São observações empíricas sobre o impacto da gratidão na vida das pessoas".
Revista Única, Expresso, 14 Março 2009.
terça-feira, 17 de março de 2009
As Crianças, Senhor?...

Nestes dias de "Inverno estival" recordo a Balada da Neve, de Augusto Gil, que as crianças da minha geração aprendiam no final da Instrução Primária. Palavras ditas que, de certo, não alcançavam o sentido crítico que o Poeta lhes deu: "...mas as crianças, Senhor, por que lhes dais tanta dor, por que padecem assim?"
O sofrimento das crianças será sempre difícil de entender, especialmente se acontece em países desenvolvidos que se prezam de respeitar os direitos humanos. Em menos de uma semana, Portugal surpreendeu-nos. Ocorrências tristes resultantes de negligência, de incúria e de irresponsabilidade dos pais.
A poucos passos do Infantário, uma criança de 9 meses morreu no interior de um carro, esquecida pelo pai que, sem qualquer inquietação aparente, cumpriu a sua manhã de trabalho no escritório.
Domingo, um grupo de crianças pequenas brincava numa praia nos arredores de Matosinhos. Uma onda mais forte arrastou-as, tendo desaparecido um menino de 4 anos.
Ainda no fim de semana, dois irmãos de 9 e 4 anos brincavam no interior de um carro que acabou por cair destravado por uma ravina de cerca de 20 metros. Transportados para um hospital do Porto, os meninos foram transferidos para Lisboa, continuando em estado grave em Santa Maria.
Ontem em Felgueiras, uma criança de 19 meses caíu da varanda de um 5º andar, estando os pais em casa.
Apenas alguns exemplos de um assunto que dá para reflectir...
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