terça-feira, 12 de outubro de 2010

Mineiros em Atacama

Lá longe, em pleno deserto de Atacama, continuam retidos 33 mineiros. Localizados a 700 metros de profundidade, esses homens nunca perderam a esperança de regressar à superfície e abraçar os familiares que, diga-se, tocaram a unir esforços, apelando às autoridades competentes. Um esforço colectivo que mobilizou técnicos e políticos, familiares, amigos e todo o povo chileno. Mais ainda, este sentimento de esperança ultrapassou fronteiras até aos lugares mais recônditos, cujas agências noticiosas registam a par e passo os avanços técnicos na perfuração do subsolo.

Tenho acompanhado as notícias que, desde 5 de Agosto, dão conta do estado dos mineiros e dos seus familiares que acamparam à entrada da mina. Vivem em ansiedade numa atenção expectante a todos os sinais que, felizmente, se perspectivam em avanços optimistas, porque as primeiras previsões de resgate têm sido largamente antecipadas. Do Natal para os meados de Outubro e, mais ainda, para hoje. Diz-se que lá pelas 22 horas, hora de Lisboa, deverá começar a operação de resgate.
Não me vou esquecer de rezar, tal como milhares de pessoas no Chile e no mundo. Espera-se o milagre nesta noite de oração que, curiosamente, coincide com a vigília de oração em Fátima que antecede a peregrinação de 13 de Outubro. Por tudo isto, compreende-se a sugestão de uma mulher chilena que, nesse espaço inóspito de Atacama, pedia a construção de um santuário. Um lugar de recolhimento e oração para dar graças a Deus, porque a fé move montanhas!!

Morreu Joan Sutherland

La Stupenda, o epíteto dado a Joan Sutherland. A "voz inesquecível" que ficou associada à carreira de Pavarotti, que muito a admirou, calou-se para sempre este domingo na Suíça.

Desta Soprano de quarenta anos de carreira de uma vida de quase 84 anos, ( nasceu em Sidney em 1926), restam as memórias de quem a ouviu. E também ela guardou as suas lembranças dos palcos e das terras que percorreu. De Portugal ficou-lhe a noite de 24 de Abril em S. Carlos e o dia seguinte quando o encerramento do aeroporto a impediu de embarcar. Mais tarde, havia de confessar que este facto lhe deu a oportunidade de desfrutar do maravilhoso Sol de Portugal nesse 25 de Abril de 1974...que amanheceu pleno de todas as esperanças!

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

"Pior do que tá não fica..."



As eleições no Brasil decorreram num ambiente festivo com o seu quê de anedótico. Este spot que foi visto como uma paródia aos "males da democracia", afinal, não foi...

Tiririca foi eleito e agora chovem as denúncias contra o novo deputado que, muito provavelmente, nem chegará a tomar posse.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Carolina Beatriz Angêlo


No momento em que se comemora a implantação da República, apetece-me falar da conquista do direito de voto das mulheres em Portugal.

Cirurgiã e activista dos direitos femininos, Carolina Beatriz Ângelo foi a primeira mulher a votar em Portugal. Estava-se em 1911, a República acabara de ser implantada em Outubro de 1910, e Carolina «torceu» a seu favor um dos «buracos» da lei ou, se se quiser, da língua portuguesa.
Carolina Beatriz Ângelo nasceu na Guarda em 1877, onde fez os estudos primários e secundários. Em Lisboa, estudou medicina, concluindo o curso em 1902. Nesse mesmo ano, casou-se com Januário Barreto, seu primo e activista republicano. Tornou-se a primeira médica portuguesa a operar no Hospital de São José, dedicando-se mais tarde à especialidade de ginecologia. A militância cívica iniciou-a em 1906, em conjunto com outras médicas, vindo a aderir a movimentos femininos a favor da paz e da implantação da República e à Maçonaria e tornando-se defensora dos direitos das mulheres, nomeadamente o de votar.

Por toda a Europa, e não só, havia anos que as sufragistas reivindicavam ruidosamente este direito para as mulheres e a Nova Zelândia tinha-se tornado o primeiro país a concedê-lo em 1893. A primeira lei eleitoral da República Portuguesa reconhecia o direito de votar aos «cidadãos portugueses com mais de 21 anos, que soubessem ler e escrever e fossem chefes de família». Carolina Ângelo viu nesta redacção da lei a oportunidade de a subverter a seu favor, dado que, gramaticalmente, o plural masculino das palavras inclui o masculino e o feminino.

Viúva e com uma filha menor a cargo, com mais de 21 anos e instruída, dirigiu ao presidente da comissão recenseadora do 2º bairro de Lisboa um requerimento no sentido de o seu nome «ser incluído no novo recenseamento eleitoral a que tem de proceder-se». A pretensão foi indeferida pela comissão recenseadora, o que a levou a apresentar recurso em tribunal, argumentando que a lei não excluía expressamente as mulheres. A 28 de Abril de 1911, o juiz João Baptista de Castro proferia a sentença que ficaria para a História: «Excluir a mulher (…) só por ser mulher (…) é simplesmente absurdo e iníquo e em oposição com as próprias ideias da democracia e justiça proclamadas pelo partido republicano. (…) Onde a lei não distingue, não pode o julgador distinguir (…) e mando que a reclamante seja incluída no recenseamento eleitoral». Assim, a 28 de Maio de 1911, nas eleições para a Assembleia Constituinte, Carolina Beatriz Ângelo tornou-se a primeira mulher portuguesa a exercer o direito de voto.
Não sem um pequeno incidente, que a mesma relatou ao jornal A Capital: «No final da primeira chamada, o presidente da assembleia [de voto], Sr. Constâncio de Oliveira, consultou a mesa sobre se deveria ou não aceitar o meu voto, consulta na verdade extravagante, porquanto, estando recenseada em virtude duma sentença judicial, a mesma não tinha competência para se intrometer no assunto». O seu gesto teria como consequência imediata um retrocesso na lei: o Código Eleitoral de 1913 determinava que «são eleitores de cargos legislativos os cidadãos portugueses do sexo masculino maiores de 21 anos ou que completem essa idade até ao termo das operações de recenseamento, que estejam no pleno gozo dos seus direitos civis e políticos, saibam ler e escrever português, residam no território da República Portuguesa». As mulheres portuguesas teriam de esperar por Salazar e pelo ano de 1931 para lhes ser concedido o direito de voto e, ainda assim, com restrições: apenas podiam votar as que tivessem cursos secundários ou superiores, enquanto para os homens continuava a bastar saber ler e escrever.
A lei eleitoral de Maio de 1946 alargou o direito de voto aos homens que, sendo analfabetos, pagassem ao Estado pelo menos 100 escudos de impostos e às mulheres chefes de família e às casadas que, sabendo ler e escrever, tivessem bens próprios e pagassem pelo menos 200 escudos de contribuição predial…

Em Dezembro de 1968 foi reconhecido o direito de voto político às mulheres, mas as Juntas de Freguesia continuaram a ser eleitas apenas pelos chefes de família. Só em 1974, já depois do 25 de Abril, seriam abolidas todas as restrições à capacidade eleitoral dos cidadãos tendo por base o género.

domingo, 3 de outubro de 2010

Subjectividade em Arte!!!



Enviado por um Amigo, mail deveras interessante que não pude deixar de publicar.

Por aqui se prova que nem sempre o "hábito faz o monge" ou como a pretensão de saber nos pode levar ao engano. Ou ainda que nem sempre o que parece, é: assim nas coisas como nas pessoas...

"O tempo anda mais devagar nos nossos pés..."


A relatividade do tempo...todos a vivemos. Mas subjectividades à parte, veja-se como Einstein revolucionou essa noção. O artigo do Expresso de ontem, intitulado Cabeças Relativas da autoria de Nuno Crato, explica com clareza a questão da "velocidade" do tempo.

" Se compararmos dois relógios, um junto ao mar e outro a 1000 metros de altitude, o que está mais abaixo atrasa-se em relação ao outro cerca de de três segundos em cada milhão de anos. E não se trata de um problema dos relógios. É o próprio tempo que anda mais devagar em locais onde a força gravítica é maior. Mas o efeito é muito pequeno. Para se notarem os efeitos previstos por Einstein, seriam necessárias velocidades perto da da luz ou então escalas astronómicas. A verificação experimental das diversas previsões revelou-se difícil. mas foi sendo conseguida aos poucos. (...)

Isto quer dizer que com estes relógios, que se nos pusermos de pé podemos verificar a diferença de tempo entre os nossos pés, os nossos joelhos, a nossa barriga, o nosso peito e a nossa cabeça. O tempo anda mais devagar nos nossos pés, que estão mais perto do solo, e mais depressa na cabeça. Mas não nos entusiasmemos. A diferença é da ordem de um décimo milionésimo de segundo ao fim de 80 anos. Nada que se perceba. Por isso, leitor, se sentir a cabeça a acelerar, não deite as culpas sobre Albert Einstein."

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Recado a Lisboa



João Villaret,uma voz imortal aviva as memórias de outrora.
Para "matar saudades" e contar aos mais novos as coisas desta Lisboa...