terça-feira, 11 de outubro de 2011

Descartes...faz-nos falta!

Da crise todos falamos. Uns sentem-na mais do que outros, mas ela não desarma. Uma iminência sistémica que veio para ficar se não houver leaderes políticos capazes de impor regras aos mercados. Entretanto, os gregos sofrem, estendendo a mão. A seguir, estaremos nós...


Empréstimos externos e austeridade. Com taxas de juro deste nível, poderá haver recuperação? Impostos crescentes, descida de salários e inflação: medidas contraditórias com o crescimento económico. E ainda não haverá ninguém que entenda isso lá nas altas esferas da troika? Até quando irá manter-se esta política restritiva?


Não bastou a lição da crise de 1929? Ironicamente Descartes falava na boa distribuição do bom senso que a todos contentava. Pena é ele não poder descer à Terra e gritar bem alto as boas regras do racionalismo. Só isso...




"O bom senso é a coisa do mundo mais bem distribuída: todos pensamos tê-lo em tal medida que até os mais difíceis de contentar nas outras coisas não costumam desejar mais bom senso do que aquele que têm."

René Descartes, O Discurso do Método

domingo, 9 de outubro de 2011

A ficção virou realidade...




Duas gravuras do começo do século XX: imagens de um visionário, diriam muitos. Pois, antes de 2000, ultrapassou-se a ficção. Os robots já não espantam ninguém e as notícias entram-nos em casa com o peso máximo do real. Lemos, ouvimos e visualizamos...tudo ao toque de um clic. É assim este "admirável mundo novo"!

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Apagou-se uma estrela, Steve Jobs morreu

"O homem sonha, a obra nasce", assim podia resumir-se a vida do Homem que revolucionou a tecnologia da informação: Steve Jobs. Faleceu hoje. Ainda que esperada, a notícia desencadeou um sentimento de pesar por todo o mundo. Caso excepcional, porque não é fácil a convergência. Prova indiscutível do reconhecimento da mente genial de Steve que recebeu merecidos elogios e foram muitos. Novo Einstein e houve até alguém que o comparou a Leonardo De Vinci. Inteligência brilhante e cidadão exemplar que viveu os últimos anos, pensando na morte. Não se coibiu de falar publicamente da vida, da doença e da inevitabilidade da morte. Afinal, a "morte é uma invenção da vida", disse um dia.

A história de vida de Steve, que não teve um começo feliz, merece a reflexão de todos. Quem sabe mesmo se não deveria ser evocada na escola. Exemplo de trabalho, de tenacidade e de triunfo. Do reconhecimento público e riqueza em coexistência com a fragilidade da vida. Afinal, as estrelas também esmorecem e morrem. Hoje apagou-se uma, chamava-se Steve Jobs...

Brahms



Hoje elegi Brahms, porque a música combina com o nosso estado de alma.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A Presidência da República e os gastos régios

Feriado nacional. Passa hoje o 101º aniversário da implantação da República. Alterou-se o regime, mas o sistema pouco mudou. Dantes apontavam-se os gastos com a casa real, hoje temos os da Presidência da República. Pagamos uma exorbitância com a manutenção do palácio de Belém, uma fortuna diária a que havemos de somar uns "trocos" com as viagens presidenciais. A este propósito, indignava-se uma leitora de Santa Maria da Feira, Céu Mota, em carta publicada pelo Expresso no passado dia 1 de Outubro. Para apreciar, passo à transcrição.

"A notícia era discreta, sem foto, no canto inferior esquerdo de uma página "secundária" de Jornal: Cavaco Silva foi aos Açores por cinco dias com sua mulher e mais 30 pessoas. Pelo menos é este o número oficial dado a conhecer aos jornalistas, ou seja, o número que se quer passar aos portugueses. Gostava que o sr. Presidente explicasse a gente ignorante como eu porque precisa de levar consigo 12 agentes de segurança (que risco corre nas ilhas portuguesas e pacatíssimas como são as dos Açores?), o chefe da Casa Civil (mais mulherzinha), quatro assessores, dois consultores, o médico pessoal, uma enfermeira e - cúmulo do ridículo, do supérfluo, do exagero e do fútil - dois bagageiros, dois fotógrafos oficiais e um mordomo, como se nos Açores não houvesse ninguém para os receber. (Se leva 30 ali ao lado, o que fará noutras andanças? Ou viaja também em classe económica "para dar o exemplo", como Passos Coelho?) Reiterou Cavaco à chegada ao arquipélago: "Ninguém está imune aos sacrifícios". E esta hein? Podemos concluir então que, em tempo de vacas gordas, a comitiva seria de dimensões mais provocadoras...(....)"

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

"Para quê? Até quando?"


Rir faz bem. E, uma vez mais, os portugueses não perderam o sentido de humor. Exemplo disso está num mail que, por estes dias, invadiu as nossa caixas de correio. Assunto, o déficit. Tema inesgotável pela diversidade e dimensão de buracos financeiros. O mail, oriundo de uma hipotética agência de viagens, convida a uma visita à Madeira para apreciar a recém-descoberta cratera. Sem comentários...

Entretanto, a dimensão "daquele" buraco cresce todos os dias. Não se sabe onde irá parar, acrescentando os mais pessimistas que existem outros buracos por destapar. Para os já conhecidos e futuros existe uma certeza: a factura ao povo pertence. Só não sabemos bem como e quando. A prometida austeridade ainda só agora começou. Resultado do despesismo que grassou por este país e do sistema financeiro internacional.

Induzida pela leitura de um livro referente aos últimos tempos do Estado Novo, concluí que já passámos por dificuldades maiores. Então, havia guerra, austeridade e também não se vislumbrava um fim à vista. Desânimo era o estado de espírito dos soldados que combatiam em África, onde os mais esclarecidos se interrogavam. "Para quê? Até quando": estas as palavras de um coronel que, em 1971, manifestava em Moçambique um claro cepticismo em relação à guerra. Hoje, salvaguardadas as devidas proporções de um país outrora em guerra, apetece-me também perguntar qual o sentido da austeridade a que estamos sujeitos. "Até quando?"...

Vodafone, publicidade vergonhosa




Indigna-me este anúncio da Vodafone, exemplo flagrante do vale tudo na publicidade. Socialmente ofensivo, atentando contra a dignidade da mulher, da professora em particular. Recorrer à sexualidade configura uma imaginação pobre e que, no presente caso, convida ao desrespeito e indisciplina.


Felizmente existem outros operadores de comunicações. Por que não aderir à TMN, à Optimus ou outro ?