sexta-feira, 5 de outubro de 2012

A República em Roque Gameiro


Liberdade exprime-se na ideia de República, personificada numa figura feminina que Roque Gameiro retratou com os trajes e adereços do Minho: o lenço, os brincos e cordões de ouro. O Artista, que tão bem representou os tipos populares, encontrou a imagem perfeita da "nossa Marianne" nesta minhota ..a mulher em beleza e força!  Não devemos esquecer que minhota era a Maria da Fonte!!

Nota - Devo informar que retirei esta aguarela de Alfredo Roque Gameiro .do FB, uma imagem postada por uma Amiga e familiar do Artista de Minde!.

Cavaquinho


Em contraponto à celebração deste último feriado de 5 de Outubro, que não atingiu a dignidade adequada à data, registo a sonoridade do cavaquinho numa expressão popular. Ou seja uma outra forma de comemorar a  nossa memória colectiva...

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

David, a obra e o criador


"Na Primavera de 1501 (Miguel Ângelo)  voltou a Florença.
Um gigantesco bloco de mármore tinha sido confiado, quarenta anos antes, pela Obra da Catedral (Opera del Duomo) a Agostino di Duccio para esculpir a figura de um profeta. A obra, apenas encetada, logo ficara interrompida. Ninguém ousava retomá-la. Miguel Ângelo encarregou-se disso e, dessa rocha de mármore, fez brotar o David colossal.
Conta-se que o gonfaloneiro (oficial de justiça) Pier Soderini, ao vir contemplar a estátua que tinha encomendado a Miguel Ângelo fez-lhe algumas observações para dar mostras do seu gosto: criticou a espessura do nariz. Miguel Ângelo subiu ao andaime, pegou num cinzel e num pouco de poeira de mármore, enquanto mexia ao de leve o cinzel, deixava cair a pouco e pouco a poeira; mas evitou cuidadosamente tocar no nariz, que deixou como estava. Depois, voltando-se para o gonfaloneiro, declarou:
"- Olhe agora.
"- Agora -disse Soderini - gosto mais. Deu-lhe vida.
"Miguel Ângelo desceu então do andaime rindo silenciosamente."
Parece que se lê esse desprezo silencioso na obra. É uma força tumultuosa em repouso. Está cheia de desdém e de melancolia. Sufoca entre as paredes de um museu. Tem necessidade do ar livre, "a luz da praça pública", como dizia Miguel Ângelo.
A 25 de Janeiro de 1504 uma comissão de artistas de que fazia parte Filippino Lippi, BotticellI, Perugino e Leonardo da Vinci, deliberou sobre o local a destinar ao David.A pedido de  Miguel Ângelo foi decidido erigi-lo em frente do Palácio da Senhoria. O transporte da enorme massa foi confiado aos arquitectos da catedral. A 14 de Maio, pela tarde, fizeram sair o colosso de mármore da armação de madeira onde tinha estado encerrado, demolindo a parede por cima da porta. Durante a noite, pessoas do povo apedrejaram o David, com o fito de o partir.Foi necessário montar guarda. A estátua avançava lentamente, amarrada direita e suspensa, de maneira a balançar livremente sem tocar o chão. Foram necessários quatro dias para o levar do Duomo até ao Palácio Velho. A 18, ao meio-dia, chegou ao lugar indicado. Continuaram a montar guarda em torno dele, durante a noite. Apesar das precauções, uma tarde a estátua foi apedrejada.."


Romain Rolland, Miguel Ângelo

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Quanto Vale um Homem?


Um acaso feliz depois da polémica declaração de  António Borges.  Desta feita, uma perspectiva humanista da  economia por João Duque no Expresso de ontem (caderno de Economia). Copiei  o título do artigo que, pela sensibilidade e bom senso, devia ser objecto de reflexão dos nossos governantes. Alimentando a esperança de melhores dias, passo  à transcrição de alguns excertos.

"Para os economistas. o valor  de uma pessoa pode tentar encontrar-se de várias maneiras:através do valor actualizado, ou descontado, do seu rendimento esperado futuro; através do valor que a sociedade fará para o conservar vivo, etc...
Quando um cidadão está desempregado é comum reconhecer-se que o seu custo é o valor do subsídio que o Estado lhe paga.
Porém, o seu verdadeiro custo s´cial é muito superior.
Uma empresa, ou mesmo uma organização sem fins lucrativos não se preocupa com outros custos além do salário, encargos sobre remunerações ou condições de trabalho que tem de dispor para albergar um novo empregado.
Mas o Estado deve ter em atenção uma optica bem mais alargada e valorizar,, ainda numa análise de custo-benefício, o valor dado à estabilidade social, à segurança (ou ausência de risco) ou à felicidade que se retira de uma sociedade onde se vive sem medos, sem muros a defenderam o que é nosso, ou à ausência se armas a vigiarem a nossa noite.
Na sociedade de hoje, e perante o flagelo do desemprego e da sensação de inutilidade social, há que repensar urgentemente os modelos de "avaliação humana".
E para se tomarem finalmente decisões económicas em que não se devem perder de vista os critérios de de eficiência e bom governo, pergunto seriamente se não é tempo de se reverem os modelos usados pelos economistas e fazer-lhes incorporar outros parâmetros ainda não estudados, mas que eu temo se irão tornar, em breve, em custos evidentes...
Contabilizam os prejuízos sociais da degradação das relações e da infelicidade que resulta deste mal-estar social que se vive hoje em dia?

A destruição que poderá daí decorrer? O que perde quem não tem nada a perder?
E já que os modelos macroeconómicos  usados pelo Governo se mostram tão erradamente parametrizados, não será altura de os corrigir, melhorando a sua sofisticação?
Não podem errar  mais do que já erram..."

João Duque, Confusion de Confusiones, Quanto Vale um Homem?, Expresso, 29 de Setembro 2012.

sábado, 29 de setembro de 2012

Livrai-nos, Senhor, de Ministros sobredotados!



Mais uma polémica lançada pelo  Dr. António Borges: condenação absoluta dos empresários que, na sua douta opinião,   não perceberam os benefícios  da famigerada TSU!!!   E foram tais os termos usados pelo Professor que me apetece rezar, pedindo que Deus nos livre de mentes tão luminosas. Antes o bom senso dos nossos empresários que  o QI destes ministros sobredotados!!!
Ah! Não há qualquer equívoco. Sei bem que formalmente António Borges  não é ministro, tão só assesor do actual Governo.Que faria se fosse?!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Portugal e a voragem das privatizações



Em Portugal e na Europa periférica, como agora se diz, vivem-se momentos difíceis.  Nesta  espécie de depressão colectiva apetece reclamar, exigindo  mais respeito por parte dos nossos governantes. Da inoperância, negligência e  insensibilidade destes Ministros.
De um Governo que navega sem rumo, ditando medidas avulsas com pouco rigor nos cálculos e nenhuma equidade social. Proclama-se  um patriotismo que mais não é que uma liberalização desenfreada pela privatização dos bens públicos.  Onde está a vontade politica de congregar esforços em torno dos países em idêntica situação?  Pelo contrário,  Passos Coelho prossegue numa obediência cega à senhora Merkel.  Ela que aconselhava a Grécia a vender algumas das ilhas para pagar a dívida, agora deve regozijar-se com esta onda de privatizações em  Portugal: Cimpor, EDP, RTP, TAP, ANA ...e agora a  Caixa Geral de Depósitos.Mais uma venda ao desbarato,  isto é, mais um contributo para o enfraquecimento da soberania nacional.
Perde-se  assim Portugal que, entretanto, vê aumentar o corte nas despesas de saúde...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

O futuro da RTP


Por estes dias a RTP anda nas bocas do mundo. Muitos já se pronunciaram e outros mais hão-de pronunciar-se sobre o último projecto do Governo. Admitindo que exisitiram e existem coisas erradas na gestão da televisão pública, tais como ordenados milionários, mordomias e desperdícios, impunha-se a aplicação de medidas de rigor e exigência. Isso merecia o aplauso geral, mas o Governo não seguiu esse caminho. A escolha recaíu na concessão a privados do serviço público de televisão.

Negócio escandaloso este de oferecer de mão beijada uma instituição com nome, crédito e património material e humano de valor incalculável. Visitei há anos o arquivo da RTP, ainda no Prior Velho, e deliciei-me com as peças aí guardadas. Registos de mais de cinquenta anos de História que correm o risco de "voar das nossas mãos"..... Nós, que pagamos uma taxa obrigatória na conta da electricidade, perdemos um direito inalienável de guardar, preservar e manter a identidade portuguesa. Mais um exemplo de uma PP que não deixa alternativa ao cidadão ( a menos que deixemos de consumir electricidade). Mais, um inédito e original modelo de gestão. Em que outro país existirá semelhante meio de serviço público de televisão?

Receio pelo futuro da RTP, pela isenção da informação e pela prática de um verdadeiro serviço público. Recordando os últimos anos da II Guerra Mundial e a prática soviética de controlo dos meios de comunicação, pensei estar a assistir a um processo similar... só que feito em nome do liberalismo!!