sexta-feira, 20 de julho de 2012
O Rei vai nu na vida política
segunda-feira, 16 de julho de 2012
sábado, 14 de julho de 2012
Os Maridos das Outras
Ironia ou verdade?! É para ouvir, sorrindo...e que ninguém fuja, porque há carapuças para todos!!
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Os Jogadores de Cartas
O jogo distrai e anima. Passatempo estimulante do cérebro que facilmente corre o risco de passar a vício. Nada mais fácil: praticar, praticar até criar um hábito que vira fixação. Daí nascem todos os males e vícios. Abandona-se o trabalho, arruina-se o património, afastam-se os amigos, perde-se a família. É uma uma espiral de que raramente se sai.segunda-feira, 9 de julho de 2012
Da Casa dos Patudos e de José Relvas
Relvas, apelido que leva à exaustão de tanto repetido. Sabemos todos porquê. Por isso, a criatividade dos portugueses ultrapassou já a indignação para cair no campo da anedota. Sem entrar directamente no assunto, proponho, em contraponto, uma outra personalidade. Semelhante no nome, mas diferente na maneira de estar na vida: José Relvas (1858-1929).Assim, a sua casa, abriga com a sua família, o maior número de obras de arte que ainda enriqueceu o domicílio dum homem sem ostentação, e nele se presta à arte um culto tão fervoroso, que se diria não se viver ali para outra coisa. As suas salas são galerias de pintura e escultura, onde é licito passear com um catálogo nas mãos, como nas salas dos museus. Tropeça-se em objectos de arte. Aqui é um móvel, acolá uma talha, além uma faiança, mais além um medalheiro. Numa vitrina está a mais bela obra de olaria portuguesa. Noutra é fácil admirar ao lado de um autêntico Galrão, um Stradivarius autêntico, o que caracteriza a serenidade desta paixão, a que tantos se entregam por puro luxo é que ela se foi instalar longe do ruído da vida mundana e da publicidade e se sacia solitariamente. Nessa casa amam-se todas as artes mas só uma se cultiva – a música. Se ao leitor sucedesse passar já noite velha, pela beira da estrada de Almeirim não seria de estranhar que ouvisse por entre o concerto do coaxar das rãs, as harmonias vindas lá de dentro, duma sonata de Beethoven, ou de Mozart. É no que ali se passam as noites.»
João Chagas
segunda-feira, 2 de julho de 2012
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Cartas de amor e Maria Barroso
Todas as cartas de amor são ridículas. escreveu Fernando Pessoa. Não se esqueceu, porém, de acrescentar essa inevitabilidade: " se há amor têm de ser ridículas. " Carinho e ternura postos em cada coisa, cada palavra, cada imagem. Evocação acompanhada de gestos que, sendo invisíveis, transmitem a força dos sentimentos.O Sol publica as Cartas que vale a pena conhecer.
Meu Querido Amor
Senti tanto a tua falta hoje – em quase 20 anos de casados é a primeira vez que passamos separados esta noite. Separados materialmente, claro, porque nunca, nunca deixaste o meu pensamento, meu Querido.
Tivemos a D. Eugénia e o marido [Joaquim Jacobetty Rosa] para jantar connosco. Comemos uma canjinha e um pouco de peru, daquele de que eu cortei as fatias do peito para te levar e que eu própria preparei. Portámo-nos todos à altura, embora sem festas nem saúdes. Tu estavas bem presente no pensamento de todos nós – para quê fazer saúdes? Foi um jantar simples, como qualquer outro. Teria sido, como tem sido sempre, um jantar de festa se tu estivesses. O Pai esteve bem, distraiu-se a conversar e por volta das 11 horas foi-se deitar.
Ainda apareceram os nossos afilhados para nos darem um abraço e trazerem um presente à Isabel.
Mas eu, meu querido, eu que não quero que ninguém me veja senão de olhos enxutos e cheia de coragem, afastei-me um pouco por volta das 10 e 1/4, 10,30 e pensei em ti com uma intensidade tal que tinha a impressão de que o meu coração pulsava em todo o meu corpo – era um bater tão forte que a minha cabeça parecia uma caixa de ressonância. Pensei em ti com toda a força – passei as minhas mãos ternamente pelos teus cabelos e fechei-te os olhos com um beijo tão cheio do meu Amor – que tu deves ter sentido a minha presença junto de ti. Disseste-me que às 10,30 adormecias e eu quis estar só nesse momento em que pensei que te deitavas e adormecias. Para te acompanhar, para pensar que não estavas tão só nesta noite que foi para nós sempre uma noite de família em que nunca nos separámos. Foi tanta a intensidade com que pensei em ti, sozinha, que quase se tornou palpável a tua presença junto de mim – as pancadas do meu coração eram tão fortes que eu tinha a impressão de que sentia o teu próprio coração bater com o meu. Acredita, meu Amor.
Podem separar-nos, arrancar-te fisicamente de junto de nós como o estão fazendo agora. Mas há uma coisa de que eu estou segura e de que tu podes ter a certeza – eu estarei sempre contigo, meu Querido! Sinto-me de tal modo identificada contigo, todos estes anos em que caminhamos juntos estão tão repassados de Amor, de ternura, de compreensão, que é impossível separarem-me de ti – eu estarei sempre onde tu estiveres. «Não há machado que corte a raiz ao pensamento» diz um poema [de Carlos de Oliveira] e é verdade! O pensamento atravessa as grades mais fortes, não conhece paredes nem montanhas e vai para onde nós quisermos... ainda! Por isso podem as grades ser fortes, as paredes espessas, as distâncias enormes que eu estarei presente onde estiveres, sobretudo se te sentir só, como agora, injusta e incrivelmente só.
Não sei se conheces uns versos lindos de uma poetisa nossa amiga [Sophia de Mello Breyner Andresen], que diz:
«Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o temor da morte
Para ver a verdade, para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei!».
Esses maravilhosos versos dizem bem o que eu te poderei dizer de uma maneira mais desajeitada.
Os beijos mais amigos dos teus Filhos, Pai e Tio Nobre. Abraços, muitos abraços de toda a família e amigos.
Para ti sempre toda a minha ternura mais profunda e os beijos mais carinhosos.
Sempre tua
Maria de Jesus"
