sexta-feira, 20 de julho de 2012

O Rei vai nu na vida política




Nem todos têm coragem para denunciar situações de promiscuidade entre o político e privado. As recentes entrevistas dadas pelo bispo D. Januário Torgal Ferreira e Paulo Morais confirmam a regra. Para reflexão. fica um registo...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Sábio era António Aleixo...

Não resisti a António Aleixo. Mensagem intemporal de um poeta popular que tinha resposta pronta e acertada para os desmandos da vida vida pública e privada.
Nada mais a acrescentar, senão que acabe depressa a mascarada...

sábado, 14 de julho de 2012

Os Maridos das Outras




Ironia ou verdade?! É para ouvir, sorrindo...e que ninguém fuja, porque há carapuças para todos!!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Os Jogadores de Cartas

O jogo distrai e anima. Passatempo estimulante do cérebro que facilmente corre o risco de passar a vício. Nada mais fácil: praticar, praticar até criar um hábito que vira fixação. Daí nascem todos os males e vícios. Abandona-se o trabalho, arruina-se o património, afastam-se os amigos, perde-se a família. É uma uma espiral de que raramente se sai.

O jogo, sendo próprio da natureza humana, permanece intemporal. Diversidade de jogos, muitos dos quais têm atravessado séculos. Longe de mim condenar o jogo, mas com conta peso e medida, obviamente. E isto, porque os excessos perturbam e causam destruição. Às vezes, de forma irreversível. Outras, deixando marcas profundas. Sei de um caso que fez o regresso "à normalidade" com a força de vontade e ajuda da mulher. Porém, nada é como dantes. Reencontrei-o há dias numa festa. Triste, calado, afasta-se de todos. Engordou imenso, uma sombra do passado, este homem meio-sonâmbulo que parece levitar...

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Da Casa dos Patudos e de José Relvas

Relvas, apelido que leva à exaustão de tanto repetido. Sabemos todos porquê. Por isso, a criatividade dos portugueses ultrapassou já a indignação para cair no campo da anedota. Sem entrar directamente no assunto, proponho, em contraponto, uma outra personalidade. Semelhante no nome, mas diferente na maneira de estar na vida: José Relvas (1858-1929).

Político que atravessou a viragem para o século XX, cedo frequentou a Faculdade de Direito em Coimbra. Pouco depois havia de trocar as leis pelo Curso Superior de Letras, o qual completou em 1880, em Lisboa. O ideário republicano cativou-o e esse facto seria determinante na vida política, uma vez que lhe conferiu a honra de proclamar o novo regime em 5 de Outubro de 1910, à varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Serviu o País, sem nunca se deixar deslumbrar pelo poder. De relacionamento fácil com os grandes e com o povo, gostava simplesmente de ser tratado como senhor José Relvas. E, de facto, era um senhor. Verdadeiro humanista que soube aplicar os seus proventos na aquisição de objectos de arte, de pintura, de escultura e até de instrumentos musicais na colecção de um rico acervo que ainda é possível admirar na Casa dos Patudos em Alpiarça. O ambiente paradisíaco da sua casa na margem esquerda do Tejo suscitava a admiração dos amigos que, todavia, não deixaram de lamentar a perda dos seus três filhos. O testamento de José José Relvas, em 1929, legando o seu património aos conterrâneos, atesta bem a generosidade de um espírito superior que soube morrer como viveu...

" ...esta casa é muito singular, pois tem um grande porte e nenhuma ostentação. Não se lhe pode dar o nome de chateau ou de manoir, ou mesmo de casa de campo. Dir‑se‑ia uma velha residência de família, transmitida por herança de pais a filhos. No entanto não tem 6 anos de construída; e não lhe dá este primeiro aspecto a conhecer não já o gosto mas o fundo nobre do carácter do homem que a construiu, e que assim pretendeu adoptar a sua noção da família ao domicílio que melhor lhe convém e que ainda é aquele que noutros tempos a abrigou e perpetuou? A casa dos Patudos, pois esse é o seu nome, nasceu ontem e tem séculos. De nobreza? Não. De solidariedade de família, de virtudes domésticas, de agasalho de hospitalidade. Por efeito do seu temperamento, da sua educação, o dono desta casa é um destino inteiramente votado ao amor a ao culto da arte a ao qual todos os outros, mesmo o que o prende à lavoura, mesmo o que o lançou na política, são destinos acessórios.
Assim, a sua casa, abriga com a sua família, o maior número de obras de arte que ainda enriqueceu o domicílio dum homem sem ostentação, e nele se presta à arte um culto tão fervoroso, que se diria não se viver ali para outra coisa. As suas salas são galerias de pintura e escultura, onde é licito passear com um catálogo nas mãos, como nas salas dos museus. Tropeça-se em objectos de arte. Aqui é um móvel, acolá uma talha, além uma faiança, mais além um medalheiro. Numa vitrina está a mais bela obra de olaria portuguesa. Noutra é fácil admirar ao lado de um autêntico Galrão, um Stradivarius autêntico, o que caracteriza a serenidade desta paixão, a que tantos se entregam por puro luxo é que ela se foi instalar longe do ruído da vida mundana e da publicidade e se sacia solitariamente. Nessa casa amam-se todas as artes mas só uma se cultiva – a música. Se ao leitor sucedesse passar já noite velha, pela beira da estrada de Almeirim não seria de estranhar que ouvisse por entre o concerto do coaxar das rãs, as harmonias vindas lá de dentro, duma sonata de Beethoven, ou de Mozart. É no que ali se passam as noites.»

João Chagas

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Desfrutar o dia




A paz nas palavras e nas imagens...

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Cartas de amor e Maria Barroso

Todas as cartas de amor são ridículas. escreveu Fernando Pessoa. Não se esqueceu, porém, de acrescentar essa inevitabilidade: " se há amor têm de ser ridículas. " Carinho e ternura postos em cada coisa, cada palavra, cada imagem. Evocação acompanhada de gestos que, sendo invisíveis, transmitem a força dos sentimentos.

Hoje escrevem-se poucas cartas de amor. O telefone, os sms e os emails substituíram a folha de papel que chegava quando chegava. Dias ou semanas de um serviço de correios demorado, uma lentidão exasperante quanto o eram as vias e meios de transporte. Lembro-me sempre das cartas em tempo de guerra e, falando em casos mais mediáticos, recordo as longas missivas de António Lobo Antunes. Retrato de um amor separado pelas circunstâncias da guerra em Angola. Outro caso de uma outra geração: Mário Soares e Maria Barroso. O casamento ocorreu quando ele estava preso no Aljube e, passados vinte anos, a política separava-os de novo. Preso em Caxias no Natal de 1967 , Mário Soares contava com o amor de Maria e solidariedade dos amigos. Quase 20 anos de casamento contados numa carta de amor, onde o quotidiano e a ternura coexistem.

O Sol publica as Cartas que vale a pena conhecer.

Meu Querido Amor

Senti tanto a tua falta hoje – em quase 20 anos de casados é a primeira vez que passamos separados esta noite. Separados materialmente, claro, porque nunca, nunca deixaste o meu pensamento, meu Querido.

Tivemos a D. Eugénia e o marido [Joaquim Jacobetty Rosa] para jantar connosco. Comemos uma canjinha e um pouco de peru, daquele de que eu cortei as fatias do peito para te levar e que eu própria preparei. Portámo-nos todos à altura, embora sem festas nem saúdes. Tu estavas bem presente no pensamento de todos nós – para quê fazer saúdes? Foi um jantar simples, como qualquer outro. Teria sido, como tem sido sempre, um jantar de festa se tu estivesses. O Pai esteve bem, distraiu-se a conversar e por volta das 11 horas foi-se deitar.

Ainda apareceram os nossos afilhados para nos darem um abraço e trazerem um presente à Isabel.

Mas eu, meu querido, eu que não quero que ninguém me veja senão de olhos enxutos e cheia de coragem, afastei-me um pouco por volta das 10 e 1/4, 10,30 e pensei em ti com uma intensidade tal que tinha a impressão de que o meu coração pulsava em todo o meu corpo – era um bater tão forte que a minha cabeça parecia uma caixa de ressonância. Pensei em ti com toda a força – passei as minhas mãos ternamente pelos teus cabelos e fechei-te os olhos com um beijo tão cheio do meu Amor – que tu deves ter sentido a minha presença junto de ti. Disseste-me que às 10,30 adormecias e eu quis estar só nesse momento em que pensei que te deitavas e adormecias. Para te acompanhar, para pensar que não estavas tão só nesta noite que foi para nós sempre uma noite de família em que nunca nos separámos. Foi tanta a intensidade com que pensei em ti, sozinha, que quase se tornou palpável a tua presença junto de mim – as pancadas do meu coração eram tão fortes que eu tinha a impressão de que sentia o teu próprio coração bater com o meu. Acredita, meu Amor.

Podem separar-nos, arrancar-te fisicamente de junto de nós como o estão fazendo agora. Mas há uma coisa de que eu estou segura e de que tu podes ter a certeza – eu estarei sempre contigo, meu Querido! Sinto-me de tal modo identificada contigo, todos estes anos em que caminhamos juntos estão tão repassados de Amor, de ternura, de compreensão, que é impossível separarem-me de ti – eu estarei sempre onde tu estiveres. «Não há machado que corte a raiz ao pensamento» diz um poema [de Carlos de Oliveira] e é verdade! O pensamento atravessa as grades mais fortes, não conhece paredes nem montanhas e vai para onde nós quisermos... ainda! Por isso podem as grades ser fortes, as paredes espessas, as distâncias enormes que eu estarei presente onde estiveres, sobretudo se te sentir só, como agora, injusta e incrivelmente só.

Não sei se conheces uns versos lindos de uma poetisa nossa amiga [Sophia de Mello Breyner Andresen], que diz:

«Para atravessar contigo o deserto do mundo

Para enfrentarmos juntos o temor da morte

Para ver a verdade, para perder o medo

Ao lado dos teus passos caminhei!».

Esses maravilhosos versos dizem bem o que eu te poderei dizer de uma maneira mais desajeitada.

Os beijos mais amigos dos teus Filhos, Pai e Tio Nobre. Abraços, muitos abraços de toda a família e amigos.

Para ti sempre toda a minha ternura mais profunda e os beijos mais carinhosos.

Sempre tua

Maria de Jesus"