sábado, 26 de fevereiro de 2011

Desculpem-me, Jovens!

À maneira de continuação da mensagem anterior não resisti a transcrever mais um excerto do Expresso. Da autoria de João Duque, uma análise comparativa entre duas gerações. Pais e filhos ou as queixas da designada "geração Deolinda"...


" A geração Deolinda queixa-se de não ter emprego, de estar na casinha dos pais, e de adiar o casamento e os filhos. Queixam-se que já é uma sorte em ir estagiar...Geração sem remuneração...
A geração de 60 queixava-se da ditadura, das cargas policiais e do lugar que os esperava depois de acabar o curso:um navio engalanado no Cais da Rocha do Conde de Óbidos directo à Guiné, Angola ou Moçambique - Guerra!
Na minha geração íamos a pé para a primária, de autocarro para o liceu, só um em cada três entrava na Universidade, carro só depois do emprego, fazíamos 16 meses de serviço militar obrigatório e levámos o FMI à saída do curso: desemprego, restrições nas saídas ao estrangeiro...Tínhamos de entrar cedo em casa ( as namoradas nunca lá punham os pés) e casa própria comprada com empréstimos a 25 anos.

A geração do Erasmus foi levada à escola de carro, depois ao secundário de carro, teve mais lugares que candidatos ao ensino superior , foi um semestre para fora de programa Erasmus, já tem carro na faculdade (queixa-se da falta de estacionamento), entra nas discotecas às duas da manhã, sai delas às sete, leva as namoradas para casa e os pais telefonam antes de entrar para saberem se já podem aparecer, querem emprego e descobrem que a vida não é tão fácil. Invejam os pais. (...) "

Portugueses, os mais ternos...

Quando proliferam as más notícias, importa registar o seu contrário. Uma delas bem actual vem publicada no Expresso de hoje no caderno de Economia. É sempre bom sentir gestos de carinho, sobretudo nos tempos que correm...


"Não é só nos indicadores de más notícias que conseguimos liderar os rankings. Segundo um estudo dos chocolates Milka, que avalia os níveis de ternura, os portugueses são o povo mais carinhoso da Europa. Um em cada dois portugueses revela partilhar um momento de ternura várias vezes ao dia. Curiosamente é entre os mais jovens que há menos afectos: 25% dos inquiridos entre os 18 e os 24 anos sentem-se demasiado ocupados para carinhos."

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Orlando Ribeiro

Monte Orlando, ilha do Fogo, Cabo Verde

A RT2 assinalou no domingo o centenário do nascimento de Orlando Ribeiro. Personalidade ilustre que renovou o conhecimento da Geografia Física e Humana. Conhecia o País como ninguém e visitou todos os territórios sob administração portuguesa, à excepção de Timor.

A ilha do Fogo aquando da actividade vulcânica no início da década de 1950 regista a presença de Orlando Ribeiro, a qual foi considerada pelos naturais como apaziguadora da fúria da Natureza. Mais tarde, em 1957, assistiu no Faial, à formação do ilhéu dos Capelinhos. A reportagem da RTP, então nos inícios, traduz bem o comunicador vivo e irónico que ele era.

Na Faculdade de Letras, onde leccionava Geografia Humana, contava com a admiração e estima dos alunos de Geografia e dos do curso de História que optavam pela cadeira. Ouvíamos com atenção religiosa as suas lições, brilhantes e leves e até com algum picante. Lembro um desses casos quando o funcionário do Departamento de Geografia ( o senhor Feliciano) que, além de motorista, servia de operador na projecção de slides. Distraído, o senhor não atinava com a imagem pretendida, o que muito irritou o Professor. Batendo violentamente com o ponteiro, soltou um palavrão e nós, rindo à socapa...

"Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico", a obra emblemática de Orlando Ribeiro revela a intuição e sentido de análise do estudioso que, além do mais, possuía o dom da palavra. Uma prosa rica na descrição de imagens pitorescas de espaços e de culturas: escritos a que acresce um acervo de milhares de fotografias. Esperamos pela sua publicação. Afinal, mais uma vertente da sensibilidade do ilustre Geógrafo...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Eu, Cláudio



Lembram-se de "Eu, Cláudio", de Robert Graves?

"Falando dos gloriosos dias de Augusto, das crueldades de Tibério, ou da divinizada insanidade de Calígula, Cláudio formou uma história capaz de nos fazer perder o fôlego, e que é repleta de assassinatos, cobiça e loucura. A sua voz, às vezes perplexa, às vezes pesarosa, mas sempre lúcida, fala-nos, ao longo dos séculos, em seus dois grandes e clássicos romances históricos, esmiuçando todas as oscilações do seu destino, seu desastroso caso de amor com a depravada Messalina, e o seu surpreendentemente bem-sucedido reinado.
“CLAU-CLAU-CLÁUDIO, o gago, era conhecido como um bufão e um tolo digno de piedade, mas seu propósito foi ficar observando dos bastidores e registrando todas as peculiaridades, grotescas, violentas, lascivas, dos membros da Casa Imperial, na sua incontrolável disputa pelo poder. Então, um dia – ele próprio foi feito Imperador”, narra o escritor."

A sinopse da obra de R. Graves aviva a memória acerca do Império Romano. Memória acrescida ainda pela série televisiva que fez de "Eu, Cláudio" um quadro vivo da grandeza, miséria e depravação daqueles tempos...

Ao encontro de Chopin



Chopin e a sua música numa tarde chuvosa de Inverno...

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Edison, "inspiração e transpiração"


A Google mostrava hoje uma imagem alusiva a Thomas Edison. Nunca é demais relembrar o grande cientista e empresário dos finais de XIX às primeiras décadas do século XX, nascido em em 11 de Fevereiro de 1847, em Milan, Estado de Ohio. Faleceu em 18 de Outubro de 1931, Nova Jersey.

Edison soube potenciar as qualidades de inteligência e curiosidade com uma vontade inquebrantável. Auto-didacta e trabalhador, que nunca virou a cara aos desafios da "ficção", ciente de encontrar sempre resposta às suas interrogações. E isso, porque o "génio é feito de um por cento de inspiração e noventa e nove por cento de transpiração"...

Essa febre de saber mais e mais marcou a passagem da "era do vapor para a era da electricidade" numa série de inventos que revolucionaram o mundo. Dizia que "na vida há sempre tempo para tudo", uma boa justificação para a diversidade de patentes registadas: inventos e aquisições técnicas de primeira necessidade e outras de puro deleite e conforto.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Solidão e morte em Sintra

Os velhos merecem estima e respeito. Era esta a prática nos tempos bíblicos e assim continua entre alguns povos. Casos que tendem a rarear nos dias de hoje, onde a juventude e a beleza dominam a decrepitude física e emocional dos velhos. Salvo raras excepções, em Portugal a velhice continua votada ao desprezo e esquecimento por parte da família e do Estado. Os políticos só pensam neles em tempos de campanha eleitoral, sendo lembrados por alguns familiares quando a doença os empurra para o leito do hospital, à espera da morte.

A notícia do dia de ontem reporta-se a uma dessas situações. Aconteceu na Rinchoa, concelho de Sintra. O desaparecimento de uma idosa que vivia só e assim morreu na indiferença de familiares e das instituições alertadas. Só os vizinhos sentiram a falta e deram sinal de preocupação. Mas tudo em vão durante quase nove anos. Implacavelmente, as Finanças actuaram, sem procurar a faltosa cidadã, aplicando logo o "castigo máximo" pela dívida de 1475 euros. É para dizer que só o Fisco funcionou ( ainda que desumanamente) neste país, onde é possível cobrar uma dívida irrisória por 30.000 euros no leilão de um apartamento. Que grande negócio para as Finanças Públicas!...

Este caso chocante não deve ser esquecido. Para memória futura fica o registo.


"Uma mulher esteve nove anos morta em casa. Vivia sozinha em Rinchoa, Sintra e, se estivesse viva, faria 96 anos na próxima semana. Apesar dos alertas dados por uma vizinha, a PSP só encontrou o corpo, dentro do apartamento, esta terça-feira, após este ter sido vendido num leilão pelas Finanças.
O cadáver esteve nove anos no chão da cozinha da casa onde vivia sozinha há 30 anos, na companhia de um cão. Nestes últimos nove anos uma vizinha, Aida Martins, tentou por diversas vezes alertar as autoridades para a situação e pediu mesmo para abrirem a porta do apartamento, o quarto andar direito.

Aida Martins deu por falta de Augusta Martinho em Agosto de 2002. A idosa de 87 anos deixou de ser vista e as cartas começaram a transbordar na caixa de correio. Na GNR disseram-lhe que não podiam abrir a porta. Foi preciso o apartamento ter sido vendido num leilão das Finanças, por causa das dívidas, para que tal acontecesse. Quem comprou não tinha chave e houve ordem de arrombar a porta.
Até ao momento as autoridades não se mostraram disponíveis para falar sobre este caso. Augusta Martinho faria 96 anos no próximo sábado. Tal como a dona, o seu cão de companhia foi encontrado morto na varanda."