sábado, 4 de maio de 2013

Hasta cuando vas a abusar de nuestra paciencia?


Remonta ao tempo da velha Roma, às catilinárias de Cícero, a inspiração deste título. Segue em espanhol para que o primeiro-ministro de Portugal possa  entender, porque é surdo às vozes dos seus concidadãos. 

Com o País dividido, o Governo mantém a mesma insensibilidade, falta de patriotismo e incompetência. Assaca ao povo a  origem de todos os males, particularmente aos  funcionários públicos e aos pensionistas. Para estes vai a pena maior, cujos pormenores ainda se desconhecem.  Tomados pelo desânimo e pela depressão, os portugueses definham, porque não vislumbram uma pontinha de esperança. Pelo contrário, todos os dias surgem novos escândalos e novos "buracos financeiros". 

Por estes dias dou comigo a pensar nas dificuldades da vida em democracia quando as instituições políticas  não funcionam. Com a violência das críticas no interior do PSD,  não haverá por aí ninguém capaz de demitir a direcção do partido, substituindo este primeiro-ministro? Ou será mais fácil e melhor opção  demitir o Governo?  Faz dó tanta imobilidade e falta de patriotismo!!  É por isso que apetece recordar Raúl Solnado no "Português, oh! malmequer!
                                                      "Português, oh! malmequer!
                         /                             em que terra foste semeado
                                                       Português, oh! malmequer!
                                                       cada vez andas mais desfolhado!"

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Jerónimo Bosch, o pintor visionário




Conhece-se mal a biografia de Jerónimo Bosch, o pintor e gravador holandês que teria nascido cerca de 1450. O mesmo não acontece com a sua obra, cuja temática remete para uma época de crise: figuras fantásticas em cenas de sensualidade e pecado que se movimentam entre o paraíso e o inferno. Tem sido, por isso, interpretado como um precursor  do surrealismo.
Pintado para a casa de Henrique III em Bruxelas,  o "Jardim das Delícias" percorreu um longo caminho até chegar ao  Museu do Prado. Confiscado em 1568 pelo Duque de Alba na Flandres, seria depois legado ao seu filho que acabou por vendê-lo a  Filipe II. Colocado no quarto do Monarca no Escorial, este Bosch servir-lhe-ia de motivação durante as usuais  crises de angústia de que foi possuído.Mais tarde, durante a guerra civil em 1936, a prudência exigiu a sua transferência para o Museu do Prado.em Madrid. 

Para mim, o mais belo Bosch está no Museu Nacional de Arte Antiga em Lisboa. Sem chauvinismos, acho. Ainda hoje contemplo "As Tentações de Santo Antão" como se fosse a primeira vez. Observo sempre qualquer coisa nova nesses paineis, onde as figuras biblicas coexistem com forças demoníacas, representações de pecado, de culpa e de angústia. Considerado o fundador do monaquismo, Santo Antão simboliza o homem pecador, sujeito às tentações. A misericórdia divina, aqui presente na  Paixão,  há-de finalmente redimi-lo de todas as fraquezas, elevando-o até ao paraíso. O "nosso Bosch", composto posteriormente ao de Madrid,  teria agradado muito a Filipe II que, todavia, não pôde espoliar-nos deste tesouro. 
Desconhece-se quem promoveu a compra das "Tentações de Santo Antão", não estando provada a intervenção de Damião de Gois que o conheceu na  Flandres, Disso não restam dúvidas, porque os grandes espíritos sempre se encontram.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Contradições do nosso Mundo


O espírito revolucionário fica mais desperto em vésperas do 1º de Maio. Acentua-se o sentido crítico sobre as injustiças, clama-se contra os seus agentes e sugere-se uma mobilização geral contra este estado de coisas. Aqui, no nosso cantinho e no mundo globalizado. Da origem de todos esses  males está feito o diagnóstico, falta a terapêutica.
A contestação sobe de tom na Europa dividida, nos Estados Islâmicos, nos  Estados Unidos, etc. A simpatia por alguns desses  movimentos transformou-os em  bandeiras poéticas de mudança. Chamaram-lhes primavera,  tal como Praga em 1968...que, convèm recordar,  também  existiu em Portugal: a   primavera marcelista. Iniciava-se, então, um processo capaz de provocar a queda de governos e a desagregação de regimes. Aos evidentes sinais de constestação de hoje, começo a vislumbrar mudanças. Uma necessidade de mudança na qual quero envolver o Bangladesh (e outros tantas sociedades no Mundo). Sofro por  essa gente  que chora os seus mortos caídos sob o poder da ganância do capitalismo internacional e recrimino-me por alimentar essa engrenagem. Isto porque a maioria de nós usa confecções produzidas por estes explorados!!
Diferente conjuntura hoje, mas lançadas estão as sementes de mudança. O vídeo enviado pela L, uma amiga que todos reconhecem como terna e pacífica, trouxe-me estas reflexões. O caso da Islândia, um pequeno Estado que bem pode ter seguidores...

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de Abril de 1974 e de hoje

Uma imagem tão distante e tão próxima dessa quinta-feira de Abril de 1974. Horas da rádio que permitiam sonhar com um mundo melhor. Depois vieram outros dias de alegria e de confronto. E ano após ano, cumpria-se a tríade dos "dês": democratizar, descolonizar e desenvolver. 
Viveu-se a esperança de um tempo novo nem sempre isento de contradições e injustiças. A década de 80 acenava com uma nova esperança que se dizia na União Europeia. Entrámos nesse "clube" com toda a pompa e circunstância. Aplausos da maioria, desconfiança de outros, agricultores e pescadores que, então, eram convidados a parar a sua actividade. Da Europa choviam os milhões para aplicar na modernização da economia e, por isso, cresceu o número de empresas de formação profissional. Com esta "modernização" multiplicaram-se os casos de corrupção. O dinheiro escorreu para os luxos desses empresários que, não tendo alterado a estrutura produtiva, engordaram as suas contas bancárias em paraísos fiscais.

Passados 39 anos desse dia de todas as esperanças,  a desilusão não tem limites. Isenta de responsabilidades neste processo está a maioria dos cidadãos que agora pagam os erros de políticos e gestores públicos, de banqueiros e empresários. Cansados pelo peso dos anos, a minha  geração só pode indignar-se. Uma indignação contra os  responsáveis em Portugal e na Europa que tudo prometeram e nada mais sabem oferecer que austeridade. Fartos de palavras, os portugueses descredibilizam os políticos e desprezam as suas propostas vagas e inconsequentes para o desenvolvimento económico. 
Mais do que em 1974, os portugueses vivem hoje em crise de esperança. Existe mesmo um ambiente de afrontamento entre gerações, activos contra reformados, privados contra funcionários públicos. Enfim, uma  situação que este Governo fomentou e alguns media promovem. Que me desculpem, mas esta é a minha imagem do 25 de Abril, hoje.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Cheira bem, cheira a Lisboa




Uma amiga sugeriu-me este vídeo, onde se canta  Lisboa.  É em Bruxelas, onde o Sol não tem a luminosidade da nossa terra... É um caso de ternura que agradecemos!

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Medos de outrora, medos de hoje


 Ninguém pode erradicar o terrorismo ou evitar um qualquer acto tresloucado, tal como não se podem evitar os sismos. E a lista das coisas  imprevisíveis que amedrontam o homem poderia continuar. Pensava nisto ao ler as notícias das últimas horas: bombas em Boston, sismo no Irão e nas regiões limítrofes.
O medo ou medos. Por mais sábio, rico e poderoso que seja o homem ou um povo, sempre há-de fraquejar no confronto com as forças da Natureza, doenças e imponderáveis das comunidades. É assim hoje e será sempre. Recordo um estudo muito profundo sobre o medo na Europa Ocidental (1400-1800), de Jean Delumeau. Por aí passam "todos os  medos" que, durante séculos,  amedrontaram os homens.  Por esse tempo a ciência e a técnica estavam longe de dominar o conhecimento actual, daí os contínuos apelos à misericórdia divina, implorando protecção contra os  flagelos da fome,  da peste  e da guerra. E temiam-se também os  "prodígios" e sinais da Natureza:  cometas,  eclipses e outros fenómenos astronómicos que, muitos interpretavam como sendo de mau presságio. Quantos desses  fenómenos, explicáveis hoje, foram tomados como milagreses ou sinais da providência?!
Apesar de tanto progresso, o medo continua a provocar a mesma reacção. Seria bom pensarmos nisso quando um destes eventos acontece. Ontem, hoje, como reagiram as pessoas? Que pensaram ao sentir o impacto dos rebentamentos?  Que atitude tomaram quando o solo tremia, lançando a morte entre escombros? 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Sarita Montiel, La Violetera




Sara Montiel faleceu na passada segunda-feira em Madrid. Dela ficam os registos de uma vida que alegrou muitas gerações. Então, num tempo em que eram poucos os divertimentos, a matinée ao fim de semana assumia foros de acontecimento.  La Violetera ficou-me na memória de uma  dessas tardes de cinema: uma Sarita que apregoava ramitos de violetas...
Flores perfumadas que outras violeteras vendiam pelas ruas do Chiado em Lisboa. Estas, as nossas violeteras ficaram imortalizadas num fado Menina das tranças pretas de Vicente de Câmara. Mais uma vez, associamos ideias e com elas a nostalgia de uma época  marcada pela ingenuidade. O passado não tem regresso, mas daria tudo para  voltar a ver os cestos de violetas nas mãos daquelas meninas de tranças pretas!...