sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Flores para uma Mãe


Conheci-a há trinta e três anos, num dia de Outubro. Transportava as marcas da viuvez num vestido  branco e preto e na ansiedade com que preparava o novo ano lectivo do seu único  filho. Ano, após ano, o Miguel correspondia ao esforço e dedicação da Mãe. Por esse tempo não havia telemóveis, mas naquela casa  sabiam sempre um do outro.  Comunicavam através de um caderno com um lápis preso por cordel  que, estando no chão da entrada,  dava conta da  localização do ausente, da  hora prevista do regresso a casa, da mensagem de um telefonema, etc. .
Muitas vezes observei a  alegria e orgulho nos olhos da Mãe  que soube educar tão reponsavelmente o seu menino que, sendo hoje cidadão e pai exemplar, deu provas de um comportamento de excepção.  Pelo  amor e cuidados prestados, em especial nos dois últimos anos de uma doença sem remissão.   
Por mais esperada, a morte chega sempre demasiado cedo. De quem parte ficam as memórias de vida cruzadas entre  familiares, amigos, colegas e vizinhos. Hoje despedimo-nos da Lurdes que, por esta hora, repousa já na sua Bragança-natal que tanto amava. De um amor só ultrapassado pelos laços que a uniam a seu filho e à família.

 Que descanse em paz! Para mim, ficam para  sempre as lembranças da   amizade que as relações de trabalho e de vizinhança sedimentaram...

1 comentário:

M.H. R.M. disse...

Uma linda mensagem póstuma cheia da paz e amor, que os nossos ausentes queridos bem merecem.
Descanse em Paz.
Bj.