segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ulisses e o Cão

" Cão grego nas ilhas gregas"

Não, não pode chamar-se uma beleza de cão a este exemplar que copiei da Internet. Mesmo assim, mantenho-o como homenagem ao fiel amigo de Ulisses.

A Odisseia regista o episódio...

"Chegados ao palácio, encontram Argo, o velho cão de Ulisses. Ao vê-lo, o cão levanta a cabeça e lança o seu último gemido, morrendo. Ulisses chora, secretamente, pois não quer que Eumeu descubra ainda quem ele é."

Depois de uma longa e atribulada viagem, Ulisses reaparece incógnito, podendo assim observar melhor o que se passa. Ressalta o velho cão que, com um sentido apurado, consegue antecipar-se no reconhecimento daquele mendigo andrajoso. Brevidade do reencontro, já que, cansado pelos anos de espera, morre. Enquanto isso, Ulisses esconde as lágrimas pela pela perda de um fiel amigo.

Sempre achei curiosa a forma como um Poema milenar retrata este sentimento de fidelidade. Do cão pelo dono, de Eumeu pelo seu amo e, mais ainda, a fidelidade capaz de gerar a astúcia de Penélope. Tecendo de dia o que desfazia de noite, conseguiu desse modo manter a expectativa dos pretendentes...até à chegada de Ulisses, seu esposo.

Uma última nota relativamente ao apego e ternura do cão. Registos actuais. Os media reportaram um canino que, tendo naufragado numa ilha deserta ao largo da Austrália, nadou para terra e, após meses de busca, reencontrou os donos.

Dir-se-ia que o faro do animal o conduz até àqueles que ama. Por essa espantosa sensibilidade busca socorro para o dono em perigo e, ainda mais, é capaz de pressentir "à distância", o sofrimento e morte daqueles que ama!..

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